sábado, 9 de junho de 2012

Debate numa escolinha de Brasília.

 No ano das eleições presidencias, em 2010. O jornalista e escritor  Fernando Molica, escreveu este texto " Debate numa escolinha de Brasília ". Eu me lembro até hoje como isso tudo fez sentido e de como adorei o texto.
Agora, estou compartilhando ele com vocês.


 -- Você é feio e bobo!

-- E você é amiga daquele menino que escondeu o apagador da professora! Depois, você ainda mentiu pro inspetor, disse que o garoto era inocente. Bem-feito, ninguém acreditou naquele seu trololó e ele acabou sendo suspenso!

-- Isso é inveja. Só porque ele é mais esperto e mais legal do que você, Zezinho. Seus amigos também fazem as mesmas brincadeiras.

-- Meus amigos não fazem nada disso. E você, que colou a prova inteira de Matemática? Minha nota 10 foi justa; a sua não foi. Eu vou contar pra professora que você colou da Elenilce, aquela sua grande amiga. Eu sou inteligente, você precisa colar, só sabe pensar com a cabeça dos outros!

-- Pode contar, Zezinho, a professora não vai acreditar. É mentira mesmo. Eu não preciso colar e a Elenilce é muito honesta, nunca ninguém provou nada contra ela.

-- Eu é que sei. A mãe da Elenilce é sócia do seu pai naquela agência dos Correios. E você, todo mundo sabe, quer namorar o irmão dela, aquele menino que vive se gabando por aí, diz que consegue até os gabaritos das provas.

-- Quer contar, conta. Também posso dizer pra professora quem é que colocou chiclete na cadeira dela, bem naquele dia em que ela veio dar aula com uma calça novinha. Eu vi você fazendo aquilo.

-- Isso é mentira! Você mente o tempo todo, Didinha! E tem mania de bisbilhotar a minha vida. No dia do chiclete eu até saí mais cedo, fui pra enfermaria. Tudo por causa daquele giz que você jogou com toda a força na minha cabeça!ciso colar e a Elenilce é muito honesta, nunca ninguém provou nada contra ela.

-- Eu é que sei. A mãe da Elenilce é sócia do seu pai naquela agência dos Correios. E você, todo mundo sabe, quer namorar o irmão dela, aquele menino que vive se gabando por aí, diz que consegue até os gabaritos das provas.

-- Quer contar, conta. Também posso dizer pra professora quem é que colocou chiclete na cadeira dela, bem naquele dia em que ela veio dar aula com uma calça novinha. Eu vi você fazendo aquilo.

-- Isso é mentira! Você mente o tempo todo, Didinha! E tem mania de bisbilhotar a minha vida. No dia do chiclete eu até saí mais cedo, fui pra enfermaria. Tudo por causa daquele giz que você jogou com toda a força na minha cabeça!
-- Foi de brincadeira, nem dava pra machucar. Você é que chora por qualquer coisinha.

-- Tacou com força sim, quase que deu um galo aqui na minha testa. A mamãe é que 'tá' certa: ela conhece muito bem a sua história, diz que você é violenta, brigona, respondona e mal-educada. Conta até que você nem vai na missa. Sei muito bem que você e sua turminha, no meu aniversário, comeram os brigadeiros antes da hora do 'Parabéns'!

-- Eu não fiz nada, só comi unzinho. Mas e aquela sua amiga, a Branquinha? Ela também faz muita coisa errada. Todo mundo sabe que ela pede figurinha emprestada para os amigos, diz que vai entregar outras e nunca entrega. Acho até que você fica com algumas das figurinhas que ela pega!

-- Para com isto, Didinha! Chamar a Paula Branca de 'Branquinha' é racismo!
 ( Fernando Molica, estação carioca,  jornal O DIA, 27 de outubro de 2010 )

http://www.fernandomolica.com.br/blog/2010/10/debate-numa-escolinha-de-brasi.php

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